Marrey Peres - Xilogravuras

 

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Marrey PeresMarrey Peres - Xilogravuras


As xilogravuras de Marrey Luiz Peres (1926 - 1993)


Meu pai foi advogado, contador e funcionário público no judiciário, mas sua grande paixão sempre foi a Arte, principalmente as artes plásticas, às quais se dedicou desde jovem. Nascido no interior de São Paulo, na cidade de São José do Rio Preto, criou-se na cidade de Taquaritinga e, após formar-se em contabilidade, mudou-se para São Paulo, em busca de oportunidades de trabalho. Trouxe, desde criança, o talento nato para as artes plásticas, começando com o desenho e depois evoluindo para a pintura, escultura e cerâmica. Não me lembro de um dia, em toda a sua vida, na qual ele não estivesse trabalhando em uma ou em várias telas, cerâmicas ou outra forma de arte. Um artista de grande talento, dedicação e qualidade, sob qualquer ponto de vista.   

O Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos, em sua edição de 1977, definia Marrey como "pintor, desenhista, ceramista e artista gráfico", baseando-se nos dados catalogados em Salões Oficiais como o Salão Panamericano de Arte (RS), Salão Nacional de Belas Artes (RJ), Salão Paulista de Arte Moderna, Salão Paulista de Belas Artes, Salão da Paisagem Paulista, Salão da Primavera e Salão Livre (estes últimos da Associação Paulista de Belas Artes), Salão da Xilogravura, Salão Contemporâneo de Arte Sacra e muitos outros, principalmente de Prefeituras, Centros de Cultura e Associações de Arte.    

Ao longo de sua trajetória, Marrey Peres teve professores e influências de diferentes escolas e tendências, tendo atravessado uma época em que a arte era vista e revista sob os ângulos mais diversos e controvertidos. Dentre seus mestres, estão Innocêncio Borghese, Rodrigues Júnior, Sante Bullo, João Rossi, Maria Albertina Vilaça Meyer e Mário Zanini. Sua obra mais extensa, a pintura, apresenta várias fases, com temáticas como pessoas, flores, paisagens, natureza morta, geométricos, surrealistas e quadros de inspiração ecologista, como a "fase cinza", onde a vida sempre renasce em meio a paisagens petrificadas.

Dentre a sua obra, quando da organização do acervo da PontoArt, encontramos 19 matrizes de xilogravura, feitas por Marrey Peres, algumas delas ainda sem vestígio de tinta. Essas xilogravuras nunca haviam sido expostas pelo artista em seu conjunto. Nem mesmo haviam gerado cópias definitivas, somente algumas provas de autor. Resolvemos, então, proceder à recuperação dessas matrizes e impressão de cópias desses trabalhos. Para tanto, precisávamos encontrar alguém com o conhecimento, a técnica e a sensibilidade necessária para tal.

Essa pessoa foi a artista plástica, escultora e gravurista Beth Lima. Quando, de posse das matrizes, ela iniciou o trabalho de recuperação das mesmas e da impressão das primeiras provas, nos enviou uma comunicação que resume bem o tipo de sensibilidade e respeito que era necessária para gerar as impressões. Ela nos escreveu:


“Eu havia me esquecido totalmente de fotografar as matrizes!!! Desculpe. Então ontem, fiz correndo as fotos, para que pudesse começar a trabalhar...

A foto é importante porque imprimir as imagens de um artista que não está mais entre nós e que não deixou cópias impressas de seu trabalho é como seguir as pegadas de um grande puma pelas planícies.

O que estou fazendo é seguir essas pegadas ao máximo possível. Ali, onde vejo que o rolo passou, passou o meu rolo. As placas não foram lixadas, então as marcas da serra ficam bem claras. Ali onde a madeira permanece virgem, clara, deixo dessa forma.

No final, o trabalho vai surgindo e é algo fascinante. Quem me dera se o Sr. Marrey pudesse estar ao meu lado!!! Mais tinta aqui, menos lá.... Seria fantástico, não é?

Mas as pegadas deixadas nas matrizes falam muito. Com cuidado e bem devagar estou fazendo as provas de estado porque elas serão a estrela guia das impressões posteriores. Cada vez que levanto o papel e a imagem surge, prendo a respiração. Uma surpresa, a matriz ganha vida e isso é fascinante.

O contraste do preto na alvura do branco é algo inesperado, ainda que a gente esteja cansado de saber que este é o melhor contraste que existe."


E é assim, com esse nível de detalhe e de cuidado, de paixão e de emoção, que queremos apresentar mais essa faceta do grande artista que foi Marrey Peres.


Lucília Giordano e Marrey Peres Jr. – PontoArt – Maio de 2014.


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